Sim, é isso mesmo! O famoso apresentador do programa Late Show with David Letterman já conquistou o tão cobiçado prêmio da publicidade mundial.
Em 2006, um singelo filme encantou a todos, graças a imagens espetaculares em câmera lenta, perfeitamente integradas com a trilha sonora. Estou falando do vencedor do Leão de Ouro – o comercial “Balls” da agência londrina Fallon, para promover a Bravia LCD TV, da Sony.
Se você, incrivelmente, ainda não viu, assista ao vídeo logo abaixo. Para quem já assistiu, sempre vale a pena ver de novo.
Ok, mas agora você deve estar se perguntando: – e o David Letterman?
Bom, assista a esse trecho do seu programa, gravado em 1996, quando David visitou São Francisco.
Coincidência ou não, a agência tem muitos méritos, afinal, a forma como eles transformaram meras bolinhas caindo pela ladeira em uma cena poética e emocionante, fará com que este filme seja lembrado durante anos, certamente.
Tamanho sucesso rendeu, inclusive, outro Leão em Cannes (desta vez um de prata), através da paródia criada pela agência Clemmow Hornby Inge. O cliente desta vez é o refrigerante Tango Clear. Veja:
Olhos abertos, pois um Leão de Cannes pode passar na sua frente e você não perceber.
Já comentei sobre a incorporação de produções artísticas pelo mundo da publicidade, então esse post serve para reforçar o que foi dito.
Todos aqueles que trabalham (ou pretendem trabalhar) com criação publicitária devem, obrigatoriamente, buscar referências nas mais diversas áreas possíveis. Assim, terão um acervo muito maior de conteúdo para ajudar na concepção de uma campanha. Visite museus, conheça sobre design, vá ao cinema, assista a shows, veja novela (sim! se grande parte do povo gosta, você tem que conhecer), leia quadrinhos, ande pela rua etc.
Tudo é válido e será importante para você na hora de criar.
Vejam agora algumas obras do artista espanhol “El Silencio”:
Bar Laredo. Bar de los fantasmas.
Hombre desplazado en un bar.
Efectos colaterales.
Os criativos da agência paulista Lua Branca certamente conheciam o trabalho do artista espanhol e acharam que seria perfeito para a campanha que estavam desenvolvendo. Eis o resultado:
Ser diretor de arte é trazer um conceito publicitário para uma campanha, e não apenas saber usar os softwares de manipulação de imagens. O cnceito surge primeiro, depois vem a idéia de usar a obra de algum artista, ou um desenho, ou criar uma fotografia nova.
Por isso, esteja sempre buscando novas referências e conhecer criações novas e inspiradoras.
Existe algo realmente inédito na publicidade atual?
Aumentou o número de campanhas plagiadas e de coincidências?
Pois bem, criar algo inteiramente novo é sempre extremamente difícil. Dentro do contexto da publicidade, então, é ainda pior.
O problema começa a partir do fato de que a mensagem contida no anúncio deva, obviamente, ser plenamente compreendida por seu receptor (o consumidor). Assim, a publicidade vai ter que recorrer a elementos que estejam presentes no imaginário do seu público-alvo. A criatividade vai residir na forma como cada um vai se utilizar desse repertório imagético para construir a mensagem. Quanto mais se afastar daqueles esteriótipos, daquela idéia em seu estado puro, modificando-a, mas sem romper totalmente o elo que une sua criação a ela, mais criativa será a campanha.
O fenômeno da globalização, juntamente com a internet contribuem fortemente para o aumento dos casos de coincidência e plágio na propaganda ao redor do planeta. A primeira porque deu início a um processo de padronização dos costumes, hábitos, formas de agir e pensar; que se reflete no próprio cenário urbano. Todas as grandes metrópoles são muito similares. O americano bebe a mesma Coca-Cola que o chileno; este, por sua vez, calça o mesmo tênis Nike que o italiano, o qual come no McDonald’s, assim como o sul-africano, que já viu os filmes do Silvester Stallone, iguais aos que o indiano baixou no seu computador Mac e por aí vai…
O cotidiano é a grande fonte de inspiração para os publicitários, e ele tende a se tornar, cada vez mais, igual em todos os lugares. Cidades iguais – rotinas iguais – pessoas iguais – problemas iguais – soluções iguais. O vídeo a seguir é interessante pois mostra a influência dos ícones cotidianos na criação publicitária e como é importante buscar referências diferentes na hora de criar.
Para piorar a situação, com a internet e as facilidades em obter material especializado em propaganda (Anuários, Archive etc), os profissionais de criação acabam por buscar as mesmas referências, diminuindo a variedade do seu repertório em relação aos outros, o que aumenta a chance de acontecer uma coincidência. Por fim, a internet também faz com que um anúncio criado hoje em Singapura seja visto por qualquer pessoa de qualquer lugar. Assim, pessoas chatas como eu têm acesso a milhares de campanhas e, de repente, esbarram em alguma que as fazem pensar: – “Ih, eu já vi isso…”
Plágios e coincidências sempre existiram, mas, além dos fatores citados, a internet facilitou que pudéssemos localizá-los.
Para coroar o post, veja o anúncio da agência carioca Elipse, de 2005, para a campanha do jornal O DIA contra o tabagismo. O texto diz: “O cigarro mata centena de vezes mais que o terrorismo.”
Parece que a galera dos Emirados Árabes gostou e a agência Precept Gulf criou em 2007 essa peça para o jornal Khaleej Times.
E, como desgraça pouca é bobagem, vamos viajar agora até a Oceania, mais precisamente na Nova Zelândia, onde a DDB local fez este ano uma campanha para uma Instituição contra o tabagismo ASH. O texto diz: “Mortes relacionadas ao terrorismo desde 2001: 11 377. Mortes relacionadas ao tabaco desde 2001: 30 000 000″.
Só para dizer que não é igual, eles colocaram a fumaça indo para a esquerda.
PS: se este post for igual ao de algum outro blog, não me culpem. Devo ter lido sobre isso em algum lugar.
Esse post é dedicado a todos aqueles redatores órfãos de diretores de arte.
Muitos estudantes de publicidade, aspirantes a redator, caem naquele problema de -”pensei numa peça genial, mas não tenho como fazer”.
Então, que tal explorar aquele seu irmãozinho mais novo, usando aqueles desenhos do jardim-de-infância como layout para sua criação??
Claro que é uma brincadeira, mas essa linha criativa é bem usada quando o intuito da peça é comunicar algo referente ao universo infantil, ou transmitir a mensagem de uma forma simples. Vejamos como o universo publicitário vem fazendo uso de tal recurso:
Primeiramente, uma campanha de 2007, da agência indiana Grey Worldwide. O objetivo era divulgar o site www.stolenchildhood.net, que luta contra o abuso sexual de crianças. O texto diz: ” Abuso sexual de crianças é geralmente cometido por alguém que elas conhecem”.
Repararam no “detalhe” de cada desenho?? Esse é o ponto impactante da peça, que contrasta com a ingenuidade infantil.
Agora uma campanha atual, da carioca 11/21, tratando da obesidade infantil. O cliente é o Instituto MOVERE, que combate este mal. Note que, mais uma vez, o desenho infantil é utilizado para incorporar algum conceito ou idéia ao universo das crianças.
Por fim, uma campanha da filial portuguesa da EuroRSCG, publicada em 2008 para promover a APCC, uma associação que investe no desenvolvimento artístico das crianças. O objetivo era atrair as pessoas a participarem de um leilão beneficente em prol da Organização. A criação tem como conceito fazer referência aos grandes artistas, mas relacionando suas obras a como elas seriam na infância. O título das peças são: “Ajude pequenos artistas a se tornarem grandes”.
Separe o seu lápis de cor e giz de cera, esqueça os efeitos mirabolantes do photoshop e illustrator, e comece o brainstorm! Mas só depois que acabar o desenho animado…
Primeiramente, cabe uma explicação sobre o que seria um pixel:
Pixel (aglutinação de Picture e Element, ou seja, elemento de imagem, sendo Pix a abreviatura em inglês para Picture) é o menor elemento num dispositivo de exibição (como por exemplo um monitor), ao qual é possivel atribuir-se uma cor. Um pixel é o menor ponto que forma uma imagem digital, sendo que o conjunto de milhares de pixels formam a imagem inteira.
Bom, de forma resumida e simples, pixel é cada quadradrinho colorido que forma uma imagem digital. A partir disso, surgiu um novo estilo dentro da arte digital; a chamada Pixel Art, que consiste em criar verdadeiras obras de arte feitas pixel por pixel. Você já deve imaginar o trabalho árduo para se fazer algo do gênero, mas o resultado é impressionante. Imagens com uma quantidade incrível de detalhes! Veja um exemplo:
cidade em pixel
Esse estilo artístico se tornou uma ótima fómula para os publicitários representarem conceitos como “modernidade”, “virtual” e afins. Assim, há alguns exemplos de apropriação do estilo gráfico da Pixel Art empregado em campanhas atuais.
Como sempre, vamos por ordem cronológica apresentar as peças. Primeiramente, temos a campanha criada em 2007 pela Neogama/BBH, para o portal IG, com um detalhe bem legal que são os prédios feitos a partir de botões do teclado do computador.
Já em 2008, a agência francesa TBWA/CORPORATE usou também da Pixel Art para criar a sua campanha. O cliente da vez foi a ANPE (Agence Nationale Pour L’Emploi); uma empresa de RH.
Por fim, temos a campanha criada pela brasileira Giovanni+DraftFCB para rede de tv por assinatura SKY, com a assinatura “TV é isso”, que provocou ironias por parte da MTV, quando teve seu sinal cortado pela SKY, e gerou uma enorme confusão, mas isso é outra história. Vamos às peças:
Se você se interessou por Pixel Art, confira aqui uma galeria de impressionantes obras do gênero.
Publicitário tem que estar sempre atualizado sobre as tendências que rolam em todos os campos, principalmente o das artes. Depois que algumas campanhas já usaram a mesma linguagem, ela perde o efeito de impacto, tornando-se comum aos olhos do público.
Buscar referências e novidades sempre! Você tem alguma dica de referência? Algum site interessante? Mande para nós!
Em 1999, na cidade norte-americana de Chicago, foi criada uma espécie de exposição itinerante, cujo objetivo era estimular a criatividade dos artistas locais e levar o resultado para as ruas, gerando uma exibição pública da arte, de uma forma acessível a todos. Ao final, havia ainda o objetivo de leiloar as obras, revertendo o valor arrecadado para a caridade.
Nascia aí a Cow Parade, que já percorreu inúmeras cidades ao redor do planeta, inclusive São Paulo e Rio de Janeiro.
Veja alguns resultados deste evento.
Melted cow – Budapeste
Vaca Drummond – Rio de Janeiro
A Cow Parade gerou uma enorme repercussão, atraindo a atenção de toda a mídia dos países por onde ela passava, além de uma ótima aceitação do público, que não se cansava de tirar fotos com as obras, chegando até a “levar” pedaços das pobres vaquinhas como souvenir.
Em 2006, foi criado algo semelhante na Alemanha, mas, ao invés das vacas, usaram leões. Conhecida como Münchner Löwerparade, ou Parada de Leões de Munique, a idéia era a mesma da Cow Parade. Veja imagens:
Dado tamanho sucesso, a agência Insight, do interior gaúcho, resolveu adaptar a idéia e usar como uma ação de marketing para divulgar a Feira Nacional do Doce. Surgiu, então, o projeto Trilha Doce. A ação espalhou pela cidade de Pelotas diversas formigas gigantes, em uma alusão à cultura doceira da região, reconhecida nacionalmente. Expostas em parques e avenidas, os formigões, moldados e pintados por artistas plásticos locais, simbolizam a invasão dos insetos em busca do melhor doce do Brasil.
Veja alguns exemplos das formigas customizadas:
O povo local adorou as intervenções urbanas e a campanha criada para a 15ª Fenadoce ganhou prata no Prêmio Colunistas Rio Grande do Sul 2008, na área Ações Promocionais, categoria Produto Cultural.
Eu achei que foi um ótimo caso de adaptação de uma idéia para o campo da publicidade. E você, o que achou? Boa idéia? Falta de criatividade? Inspiração ou plágio?
Para quem não sabe, a propaganda de cigarros no Brasil e em diversos países do mundo ficou restrita apenas ao ponto-de-venda.
Assim, eu pensei: o que fará da vida o clássico Marlboro Man, símbolo da marca de cigarros? Ficaria desempregado? Viveria de fazer shows em festas de peão de boiadeiro?
Eis que, graças ao apurado sistema de pesquisa do Preferência, descobrimos que o cowboy continua circulando pelo mundo da publicidade. Os anúncios a seguir servem para mostrar como a propaganda serve de referência para a criação.
Algumas campanhas se tornam tão famosas que são incorporadas ao imaginário popular, servindo como inspiração para ser parodiada. Só campanhas de muito sucesso podem servir para tal, já que, se não fosse de conhecimento da grande parcela da população, não teria o efeito desejado.
Segue abaixo um exemplar da campanha criada pela agência americana Leo Burnett, em 1963, para a marca de cigarros Marlboro.
Inspirados pelo herói da indústria tabagista, a agência Ogilvy & Mather indiana criou uma campanha alertando para os riscos aos fumantes passivos. Criada para a “Cancer Patients Association”.
Essa peça é sensacional, mas fica ainda no universo do fumo. Usar o símbolo do cigarro contra o cigarro faz sentido; é um caminho simples de seguir. Mas os próximos exemplos usam o conceito da campanha do Marlboro de “Come to Marlboro Country” para produtos que não possuem nenhuma relação possível com a campanha original.
Veja a criação da agência alemã .start para a Burger King.
E uma sensacional campanha que aproveitou o conceito “Come to where the flavor is”. Criada pela Leo Burnett para a marca de pirulitos Chupa Chups, tem o título “Come back to where the flavor is”.
Alguém saberia mais uma utilidade para o Marlboro Man? Bom, pelo visto de fome ele não morre; já de outras causas…
Duas características fundamentais para um bom publicitário são: ser curioso (procurar incansávelmente por coisas novas) e estar com sua anteninha de vinil ligada para tudo o que vê. Com certeza, a inspiração para a sua próxima campanha pode aparecer em qualquer lugar, durante o seu dia-a-dia, e você poderá perder essa idéia se não estiver atento.
O grande Roberto Menna Barreto, em seu livro “Criatividade em Propaganda” já dizia que “o publicitário criativo, que mantém sua mente aberta, é o publicitário capaz de reconhecer soluções. Afinal, elas estão por toda parte…”.
Sendo assim, a galera criativa lá da Ogilvy sul-africana andou visitando exposições de arte e as usou para fazer publicidade.
Confiram abaixo algumas obras da artista Jennifer Maestre, que se utilizou de lápis como matéria-prima para suas obras.
E agora o uso dessas obras pela Ogilvy de Johannesburgo, em uma campanha para o Greenpeace. “Cada assinatura ajuda a salvar nossos oceanos”.
Você se lembra de mais alguma peça que tenha usado obras de arte como inspiração? Você concorda com o uso delas? Acha que é sinal de falta de criatividade, ou inteligência do publicitário em adaptá-la?
E, logo de cara, já venho questionando se houve “influência” de uma campanha para as outras.
Além disso, qual das criações você acha que usou de forma mais pertinente e/ou criativa a idéia de zoomorfismo (bela palavra!) das roupas? A solução é interessante ou foi um momento de “criativismo” (entenda como sendo aqueles casos em que o anúncio é criativo, mas não é eficaz na função que deveria executar: vender)?
Vamos opinar!
Primeiramente, a peça criada pela agência Script para a marca de roupas TACO em 2006. A peça ganhou Bronze no O Prêmio de Propaganda O Globo – categoria VAREJO.
Agora, um comercial da LeoBurnett italiana para a marca de máquinas de lavar AQUALTIS. O filme foi vencedor do Leão de Ouro em Cannes 2008 2006.
Por fim, uma recente campanha da Saatchi & Saatchi dinamarquesa para a linha de roupas DEEP BLUE da marca Quiksilver.
De qualquer forma, acho todos fantásticos! Uma D.A absurda!
O que usam os criativos publicitários como referência para desenvolverem suas campanha?
Este blog pretende reunir peças que usem o mesmo conceito-chave, discutindo se elas seguiram caminhos distintos a partir dele ou geraram resultado similar. Além disso, veremos casos em que há apropriação de outras áreas para o mundo da Publicidade
Opine sobre o que você achou válido usar, se é plágio ou criatividade incorporar criações de outras áreas para o trabalho publicitário ou qualquer comentário sobre o tema.
Se você viu algum caso e achou interessante, mande um e-mail para blog_preferencia@hotmail.com